nstituto Totum se torna o primeiro agente certificador credenciado pela ANP e viabiliza emissão do CGOB, instrumento-chave para valor ambiental e expansão do setor

O mercado brasileiro de biometano deu um passo estruturante rumo à maturidade com o credenciamento do Instituto Totum como o primeiro Agente Certificador de Origem (ACO) autorizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A habilitação permite à entidade certificar produtores e viabilizar a emissão do Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB), instrumento instituído pela Lei nº 14.993/2024 e considerado fundamental para estruturar o mercado de combustíveis renováveis no país.

Na prática, o CGOB estabelece um sistema de rastreabilidade que assegura, de forma independente e auditável, a origem renovável do biometano comercializado, conectando toda a cadeia, da produção ao consumo, e alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais.

Rastreabilidade e valor ambiental impulsionam competitividade

A introdução da certificação de origem representa uma mudança relevante na dinâmica do setor, ao transformar o biometano em um ativo ambiental mensurável e negociável.

Com a validação independente da origem renovável, o combustível passa a ganhar maior valor de mercado, especialmente junto a grandes consumidores industriais e empresas comprometidas com metas ESG, que demandam transparência e comprovação de redução de emissões.

Ao detalhar o impacto da certificação, o diretor-geral do Instituto Totum, Fernando Giachini Lopes, destaca a relevância do instrumento para o desenvolvimento do mercado: “A certificação de origem é o que transforma o biometano em um ativo ambiental rastreável e valorizado, como já fazemos há mais de 6 anos com o GAS-REC. Com o CGOB criamos uma base sólida para expansão do setor e atração de investimentos. Nossa ideia é integrar o CGOB a certificação internacional I-TRACK(G)”.

A fala evidencia a convergência entre o mercado brasileiro e iniciativas internacionais de certificação, fator que tende a ampliar a atratividade do biometano nacional em cadeias globais de valor.

CNPE reforça demanda com metas obrigatórias de descarbonização

O avanço da certificação ocorre em um momento estratégico para o setor. O Conselho Nacional de Política Energética aprovou recentemente a inclusão do biometano nas metas de descarbonização do mercado de gás natural, estabelecendo uma participação mínima de 0,5% a partir de 2026.

Esse movimento regulatório cria uma demanda estruturada pelo combustível renovável, reforçando a necessidade de mecanismos confiáveis de certificação, como o CGOB, para garantir a integridade do processo.

Nesse contexto, o papel do agente certificador se torna central para assegurar credibilidade e segurança jurídica, elementos essenciais para viabilizar contratos e atrair investimentos.

Potencial elevado contrasta com baixa utilização atual

O Brasil reúne condições únicas para o desenvolvimento do biometano, impulsionado pela ampla disponibilidade de resíduos agroindustriais, urbanos e do setor sucroenergético.

Estimativas indicam um potencial de produção de aproximadamente 44 bilhões de metros cúbicos por ano. No entanto, o volume atualmente explorado ainda é reduzido, cerca de 109 milhões de m³, conforme dados mais recentes da ANP, evidenciando um amplo espaço para expansão.

A combinação entre potencial técnico elevado e novos instrumentos regulatórios cria um ambiente propício para a entrada de novos projetos e modelos de negócio.

Certificação viabiliza novos mercados e modelos comerciais

Além de garantir transparência, o CGOB tende a desempenhar papel estratégico na criação de novos mercados, ao permitir a negociação de atributos ambientais associados ao biometano.

Empresas poderão comprovar, de forma auditável, a substituição de combustíveis fósseis por alternativas renováveis, facilitando o cumprimento de metas de descarbonização e ampliando o acesso a financiamentos sustentáveis.

Com o credenciamento como ACO, o Instituto Totum passa a atuar diretamente na validação dessas informações, assegurando conformidade com critérios técnicos e regulatórios estabelecidos pela ANP.

Setor entra em fase de estruturação com foco em credibilidade.


O movimento ocorre em meio a um ciclo de crescimento do biometano no Brasil, impulsionado tanto pela agenda de transição energética quanto pela busca por diversificação da matriz de gás natural.

Ao projetar os próximos passos do setor, Fernando Giachini Lopes reforça o caráter estruturante da certificação:

“É realmente um marco para o setor e as empresas interessadas já podem iniciar o processo de certificação junto ao Instituto Totum. Será um passo fundamental para estruturar esse mercado no Brasil com transparência, credibilidade e segurança regulatória”.

A consolidação de mecanismos como o CGOB tende a reduzir assimetrias de informação, aumentar a confiança entre agentes e acelerar a formação de um mercado mais líquido e competitivo.

Fonte: Portal Tratamento de Água

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