Rastreabilidade de atributos ambientais torna-se ativo estratégico para empresas que buscam neutralizar o Escopo 2; volume emitido até março já representa 70% do total de 2025.
O mercado de Certificados de Energia Renovável (I-RECs) atravessa um período de maturação acelerada no Brasil, impulsionado pela urgência das metas de descarbonização e pela pressão por transparência ESG (Environmental, Social and Governance). Dados do Instituto Totum indicam um salto expressivo na atividade: entre janeiro e meados de março de 2026, foram emitidos mais de 40 milhões de certificados, um incremento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O volume é emblemático, correspondendo a 70% de tudo o que foi registrado ao longo de 2025. Esse movimento reflete uma mudança de percepção no setor corporativo, onde o I-REC deixa de ser apenas um selo de conformidade para se tornar o “lastro ambiental” indispensável em auditorias globais de emissões. Como a energia limpa injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN) se mistura fisicamente às fontes fósseis, o certificado atua como o registro de identidade (RG) que garante que aquele megawatt-hora (MWh) consumido possui origem renovável comprovada.
Estratégia de longo prazo e redução de emissões
Setores de alta complexidade, como o farmacêutico, têm liderado a adoção desses ativos para sustentar metas climáticas ambiciosas. A Eurofarma, por exemplo, utiliza I-RECs provenientes de ativos de geração da Serena, como o Complexo Eólico Assuruá, na Bahia, para pavimentar seu plano de reduzir 260 mil toneladas de carbono até 2038. Ao final de 2025, a companhia já havia atingido 97% de suas operações globais com eletricidade 100% renovável.
– Advertisement –
https://googleads.g.doubleclick.net/pagead/ads?gdpr=0&us_privacy=1—&gpp_sid=-1&client=ca-pub-4902295993252668&output=html&h=280&slotname=8363268229&adk=1133551285&adf=144619742&pi=t.ma~as.8363268229&abgtt=7&w=820&fwrn=4&fwrnh=0&lmt=1787579077&rafmt=1&armr=3&format=820×280&url=https%3A%2F%2Fcenarioenergia.com.br%2F2026%2F05%2F14%2Fi-recs-consolidam-se-como-pilar-de-descarbonizacao-corporativa-e-emissoes-crescem-16-em-2026%2F&host=ca-host-pub-2644536267352236&fwr=0&rpe=1&resp_fmts=3&asro=0&aimartd=4&aieuf=1&aicrs=1&dt=1787579078592&bpp=7&bdt=173&idt=41&shv=r20260820&mjsv=m202608200101&ptt=9&saldr=aa&abxe=1&cookie=ID%3D4b1dfbda4134df0d%3AT%3D1776363483%3ART%3D1787578108%3AS%3DALNI_MZAwPhUvNQRT9nCZ9C5UtGJRKzWnQ&gpic=UID%3D000013dc38c00a5d%3AT%3D1776363483%3ART%3D1787578108%3AS%3DALNI_Ma2YVTV_U6GMmOlKMimG-uFjAIbeg&eo_id_str=ID%3D275b9a93370c012a%3AT%3D1775654059%3ART%3D1787578108%3AS%3DAA-AfjZPb233jShmOkp–bvz1FD4&prev_fmts=0x0&nras=1&correlator=6924713480012&frm=20&pv=1&rplot=4&u_tz=-180&u_his=2&u_h=1080&u_w=1920&u_ah=1055&u_aw=1920&u_cd=24&u_sd=1&adx=623&ady=1891&biw=2518&bih=1278&scr_x=0&scr_y=0&eid=95396000%2C95397679%2C122880501%2C122880588&oid=2&pvsid=6805571636266997&tmod=53490525&uas=0&nvt=1&ref=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2F&fc=1920&brdim=1477%2C33%2C1477%2C33%2C1920%2C25%2C1904%2C1039%2C2538%2C1278&vis=1&rsz=o%7Co%7CoeEbr%7C&abl=NS&pfx=0&fu=128&bc=31&plas=477x1008_l%7C553x1008_r&bz=0.75&pgls=CAEQBBoHMS4xODUuMA..&ifi=2&uci=a!2&btvi=1&fsb=1&dtd=307
Ao avaliar o papel da energia limpa no crescimento da companhia, a vice-presidente de Sustentabilidade e Novos Negócios da Eurofarma, Maria del Pilar Muñoz, enfatiza a conexão entre a diretriz estratégica e a transparência operacional: “Na Eurofarma, a sustentabilidade é uma diretriz estratégica que orienta nosso crescimento em linha com a nossa visão de longo prazo. A parceria com a Serena, na cogeração de energia renovável, é fundamental para a meta de uma matriz energética 100% limpa, ao mesmo tempo em que aprimoramos indicadores de ecoeficiência e conferimos transparência à nossa jornada de descarbonização. Ao integrarmos essa frente ao negócio, reafirmamos nosso compromisso com o clima, com os valores da Eurofarma e com a sustentabilidade de nossas operações, gerando impactos positivos para a sociedade.”
Gestão do Escopo 2 e atratividade para o investidor
A aquisição de I-RECs ataca diretamente o chamado Escopo 2 do GHG Protocol, que engloba as emissões indiretas provenientes da energia elétrica adquirida. Em um cenário onde investidores monitoram índices como o CDP e o ISE B3, o uso de certificados oferece segurança técnica e jurídica, permitindo que empresas reportem seus inventários com lastro em ativos reais.
A agilidade na implementação é outro fator que explica a alta na demanda. Diferente de reformas estruturais em maquinários ou logística, a compra de certificados permite uma resposta imediata às metas de curto prazo.
A Diretora Comercial da Serena, Fabiana Polido, observa que a ferramenta é democrática e essencial para a confiabilidade do sistema: “O I-REC é um instrumento que confere confiança e transparência à transição energética global. A rastreabilidade de ponta a ponta permite que empresas comprovem, com rigor técnico, a origem renovável da energia que consomem. E, diferentemente do que muitos pensam, esses certificados não são exclusivos de grandes indústrias, empresas de todos os portes, de redes de varejo a companhias de tecnologia, podem adotá-los para sustentar suas estratégias de descarbonização.”
Perspectivas para o mercado de ativos ambientais
Com a tendência de queda no preço de tecnologias renováveis e a sofisticação dos mercados de carbono, a expectativa é que o Brasil se consolide como um dos maiores emissores de I-RECs do mundo.
A recorrência na aquisição desses ativos tem sido apontada por especialistas como o diferencial para empresas que desejam evitar o greenwashing e construir uma estratégia climática com consistência técnica e financeira.
Book and claim: Brasil refina instrumentos de mercado para descarbonização
Empresas ampliam demanda por certificação da origem da energia renovável
GGT ingressa na World Biogas Association para liderar regras globais de certificação de biometano