Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.


 Principais tópicos do dia

• O pregão de quinta-feira fechou em leve queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,46% e 1,04%, respectivamente.

• No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou a aceitar certificados, como o I-REC (Certificados Internacionais de Energia Renovável), para comprovação da origem renovável da energia elétrica utilizada para nota de eficiência dos produtores de biocombustíveis no RenovaBio – essa medida amplia as alternativas disponíveis aos agentes regulados para demonstrar o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis no processo de certificação do programa.

• No internacional, (i) a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou, na quinta-feira, seu relatório anual sobre o consumo global de eletricidade, confirmando o crescimento das fontes renováveis e a menor participação do carvão – apesar do contexto desafiador, reflexo do conflito no Oriente Médio, a demanda global por eletricidade deve acelerar e passar de um crescimento de 3% em 2025 para 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027; e (ii) segundo dados do Trade & Climate Tracker e International Institute for Sustainable Development, dos mais de 70 acordos comerciais e de cooperação econômica assinados desde 1º de janeiro de 2025, pelo menos 63% trataram de matérias-primas críticas, essenciais para tecnologias da transição energética, inteligência artificial e defesa – o monitor mostra que energia e clima são temas predominantes nas parcerias mais recentes, com 58% dos acordos mencionando explicitamente cooperação climática e 67% incluindo algum tipo de cooperação na área de energia, em temas como eficiência, infraestrutura elétrica e redes de transmissão.

Brasil

Empresas

BNDES aprova R$ 150 milhões para usinas de etanol de milho do Grupo Cerradinho

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou, nesta quinta-feira (23/7), que aprovou duas operações de crédito no total de R$ 150 milhões para o Grupo Cerradinho investir em inovação tecnológica, modernização industrial e expansão da produção de biocombustíveis em suas unidades, localizadas em Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS). Uma das operações, de R$ 100 milhões, envolve a Cerradinho Bioenergia e a Neomille, subsidiária do grupo focada na produção de etanol de milho e coprodutos, e será voltada para investimento em bens de capital inovadores, como equipamentos industriais e agrícolas, com tecnologia nacional. Já a outra, de R$ 50 milhões, é destinada somente à Neomille, será usada para a aquisição de máquinas, equipamentos e serviços tecnológicos com características inovadoras, todos credenciados no BNDES. “São investimentos em tecnologia nacional que buscam eficiência energética e redução das emissões de carbono”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota. O Grupo Cerradinho atua na produção de etanol de cana e milho, açúcar, bioeletricidade e coprodutos. A companhia tem, atualmente, capacidade de processar 1,8 milhão de toneladas de milho e 6,1 milhões de toneladas de cana.”

Fonte: Eixos; 23/07/2026

Baixa diversidade em conselhos aumenta formação de mulheres

“A baixa presença de mulheres na alta governança das empresas brasileiras tem levado organizações a investir na formação de novas lideranças femininas. O Brasil tem apenas 17% das cadeiras em conselhos de administração ocupadas por mulheres, segundo o Panorama Mulheres, do Núcleo de Estudos de Gênero do Insper. Diante dessa realidade, o Pacto de Promoção da Equidade Racial, uma organização da sociedade civil, começou a segunda edição do Pacto Transforma, programa que selecionou 30 executivas para uma preparação para cargos de C-Level e conselhos de administração. As executivas foram selecionadas a partir das inscrições na 5ª edição do Festival Pacto das Pretas, que chega a São Paulo nesta sexta-feira (24), após passar por Salvador e Rio. O evento reúne executivos, especialistas e lideranças para discutir equidade racial e governança corporativa. O programa de treinamento se estende por 14 meses e inclui MBA executivo em gestão empresarial, formação em inglês, mentorias e módulos sobre finanças corporativas, governança de inteligência artificial, transformação digital, riscos geopolíticos, análise de demonstrações financeiras e marketing estratégico. As participantes têm todos os custos pagos pela organização, incluindo despesas de deslocamento e hospedagem. É uma forma de reduzir barreiras de acesso. O investimento é de cerca de R$ 7 mil por participante, segundo os organizadores. Wania Sant’Anna, presidente do Pacto de Promoção da Equidade Racial, diz que a preparação técnica precisa caminhar junto com a ampliação das oportunidades de acesso aos cargos de decisão. “O objetivo não é apenas formar lideranças. Precisamos conectar essas mulheres aos espaços onde as decisões são tomadas e ampliar suas oportunidades de acesso aos conselhos e à alta gestão.” Segundo ela, a discussão sobre diversidade deixou de ser uma pauta restrita às áreas de recursos humanos e passou a integrar as estratégias de negócios. “Quando falamos de conselhos e C-Level, estamos falando de estratégia, sucessão e sustentabilidade dos negócios. Essa deixou de ser uma pauta exclusivamente de diversidade para se tornar uma discussão sobre a qualidade da governança”, afirma.”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Política

ANP incorpora I-REC para comprovação de energia renovável no RenovaBio

“A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou a aceitar certificados, como o I-REC (Certificados Internacionais de Energia Renovável), para comprovação da origem renovável da energia elétrica utilizada para nota de eficiência dos produtores de biocombustíveis no RenovaBio. A medida amplia as alternativas disponíveis aos agentes regulados para demonstrar o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis no processo de certificação do programa. Na prática, pode melhorar a nota de eficiência energético-ambiental dos produtores que emitem os créditos de descarbonização chamados CBIOs. Cada CBIO equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser emitida ao longo do ciclo de vida do etanol, biodiesel e biometano. O novo entendimento foi formalizado pela ANP após análise técnica conduzida em resposta a uma consulta apresentada pelo Instituto Totum, firma Inspetora credenciada pela agência para atuação no programa. O processo incluiu uma reunião técnica entre representantes da instituição e da ANP, além do envio de documentação de referência sobre critérios de emissão, rastreabilidade e reconhecimento internacional dos certificados. De acordo com a manifestação da ANP, “para fins de comprovação do consumo de energia proveniente de fontes renováveis declarado na RenovaCalc, serão aceitos certificados de atributos de energia renovável que atendam aos critérios estabelecidos pelo Programa Brasileiro GHG Protocol e que permitam comprovar, de forma rastreável, verificável e auditável, a origem renovável da energia consumida”. Na avaliação do Instituto Totum, a decisão representa um avanço para o RenovaBio ao ampliar a flexibilidade para os produtores de biocombustíveis. “A aceitação do I-REC pela ANP amplia as opções disponíveis para comprovação do consumo de energia renovável, sem abrir mão da segurança técnica e da rastreabilidade exigidas pelo RenovaBio. É um avanço importante para o mercado, que passa a contar com maior flexibilidade e previsibilidade nos processos de certificação”, afirma Fernando Lopes, diretor-geral da firma inspetora. A decisão da ANP ocorre em um momento de forte expansão do mercado brasileiro de I-RECs. Dados do Instituto Totum indicam que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram emitidos mais de 65 milhões de certificados, volume superior ao registrado em todo o ano de 2025, quando foram emitidos 64,7 milhões de I-RECs. O crescimento também se destaca na série histórica. Em cinco anos, as emissões passaram de cerca de 4 milhões de certificados, em 2020, para mais de 65 milhões em 2026, uma expansão superior a 1.500%.”

Fonte: Eixos; 23/07/2026

Governo antecipa térmicas e avança no ressarcimento para renováveis que sofreram cortes

“De um lado, a corrida para as termelétricas para evitar problemas no suprimento de energia em momento de alta demanda. De outro, a discussão sobre compensações financeiras pelo desperdício de geração renovável. A quarta-feira (22/7) foi marcada pelo avanço de discussões que evidenciam as contradições do sistema elétrico brasileiro. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou a decisão de antecipar para setembro o início dos contratos de usinas termelétricas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRACP) de março. A justificativa é evitar problemas com a chegada do El Niño ao país, que deve elevar as temperaturas e, como consequência, também aumentar o consumo de energia. A medida assegura 1,8 GW adicionais ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. Confira as usinas que serão antecipadas: A decisão foi anunciada no mesmo dia em que o setor elétrico repercutia a regulamentação publicada na noite de terça (21/7) para operacionalizar o ressarcimento aos geradores eólicos e solares pelos cortes compulsórios de geração, o curtailment. Apesar de representar um avanço para reduzir a insegurança regulatória e aliviar a situação financeira de diversos empreendimentos, o texto deixou de fora um dos principais pleitos das associações do setor, que é a revisão do tratamento dos cortes por sobreoferta de energia. Além disso, não resolve todo o problema: o ressarcimento cobre apenas os cortes classificados como indisponibilidade externa e confiabilidade elétrica entre setembro de 2023 e novembro de 2025. A portaria também mantém incertezas a respeito da adesão das empresas, dado que as companhias terão que abrir mão de questionamentos na Justiça para ter direito a receber as compensações. Estimado em R$ 3,3 bilhões, o ressarcimento será coberto por passivos do setor junto à CCEE, portanto, não terá impactos nas tarifas de energia. Na prática, as medidas evidenciam os desafios do setor elétrico brasileiro em lidar com a abundância de recursos e a segurança do suprimento em meio ao descasamento dos momentos de maior geração e maior demanda.”

Fonte: Eixos; 23/07/2026

Internacional

Empresas

Geely produzirá SUVs elétricos em fábrica da Ford na Espanha

“A Geely Auto produzirá dois SUVs elétricos na fábrica da Ford na Espanha e as duas empresas desenvolverão conjuntamente um novo modelo, informaram nesta quinta-feira (23). Montadoras chinesas vêm acelerando o uso de fábricas subutilizadas na Europa, buscando se antecipar às regras de conteúdo local. Por meio de uma joint venture que será controlada em 66% pela Ford e em 33% pela empresa chinesa, os primeiros SUVs elétricos da marca Geely sairão da linha de produção da fábrica de Valência em 2028. A atual força de trabalho da Ford passará a ser empregada da nova joint venture, e a fábrica provavelmente precisará contratar mais funcionários à medida que a produção aumentar, afirmou o presidente da Ford para a Europa durante uma apresentação. A Geely não pretende trazer trabalhadores da China, acrescentou Victor Yang, vice-presidente sênior da empresa. “Temos capacidade para utilizar plenamente a fábrica”, disse Jim Baumbick, presidente da Ford para a Europa, à Reuters. “Esse é o objetivo”. As duas montadoras vinham negociando uma parceria havia muitos meses, conforme revelou a Reuters em fevereiro. Executivos disseram que a longa relação entre as empresas, iniciada quando a Geely comprou a Volvo Cars da Ford em 2010, ajudou nas negociações. Uma cooperação desse tipo com uma montadora como a Geely provavelmente não seria possível no mercado doméstico da Ford, onde um comitê do Senado dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira, um projeto de lei para endurecer a proibição da entrada de montadoras chinesas no país. “O setor automotivo está passando por uma transformação absoluta e profunda”, disse o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em discurso na fábrica. “Alianças estratégicas são uma condição necessária para competir e liderar… A Espanha quer fazer parte desse grande salto”. Yang disse à Reuters que o primeiro SUV elétrico a ser produzido em Valencia será o EX5, que já é vendido na Europa, e que o outro veículo que a montadora chinesa fabricará na unidade ainda está em desenvolvimento. “Precisamos contar com parceiros fortes, com o conhecimento técnico e a experiência adequados para apoiar nossos esforços de localização”, afirmou Yang. Esta será a primeira unidade de produção da Geely Auto na Europa. O acordo ajuda ambas as empresas a enfrentar desafios significativos. As montadoras chinesas estão correndo para encontrar espaço disponível em fábricas no continente para produzir seus veículos antes da entrada em vigor de uma futura legislação da União Europeia que incluirá uma cláusula de “Feito na Europa”, exigindo um conteúdo mínimo de componentes produzidos localmente nos veículos elétricos. A Espanha é uma escolha popular entre as montadoras chinesas porque é o segundo maior país produtor de automóveis da Europa, atrás apenas da Alemanha, e possui custos de mão de obra e energia mais baixos. A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, já afirmou que o país está entre suas principais opções.”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Lindt é processada nos EUA por suspeita de trabalho infantil na África

“A fabricante suíça de chocolate Lindt foi processada em um tribunal dos Estados Unidos por suposto uso de trabalho infantil em Gana e na Costa do Marfim, apesar de a empresa destacar seu compromisso com o fornecimento responsável de ingredientes. De acordo com ação movida na terça-feira (21), no tribunal federal de Washington, D.C., a Lindt assegura falsamente aos consumidores que está tentando eliminar o trabalho infantil de sua cadeia de suprimentos e que está comprometida com os direitos das crianças e os direitos humanos em geral. A ação também afirma que a Lindt sabe há mais de 20 anos que seu cacau é produzido com trabalho infantil e lucra com essa prática. “Um consumidor razoável não esperaria que uma empresa ‘comprometida com o respeito aos direitos humanos’ e ‘que conduz seus negócios de maneira ética, legal e ambiental e socialmente responsável’ utilizasse trabalho infantil generalizado em sua cadeia de suprimentos de cacau”, afirma a ação. De acordo com a denúncia, a Lindt adquire 100% de seus grãos de cacau para consumo direto de Gana e a manteiga de cacau da Costa do Marfim. A International Rights Advocates, um escritório de advocacia de interesse público, entrou com a ação judicial. O escritório também já moveu processos acusando as fabricantes de chocolate Mars, Mondelez e Nestlé de recorrerem ao trabalho infantil. “A Lindt & Sprüngli leva a questão do trabalho infantil muito a sério, condena veementemente todas as formas de trabalho infantil e nega as alegações contidas na denúncia”, afirmou um porta-voz da Lindt em e-mail, nesta quinta-feira (23). “Temos protocolos de fornecedores em vigor e investigamos sistematicamente casos suspeitos de trabalho infantil em nossa cadeia de suprimentos.” O site da empresa, sediada em Kilchberg, na Suíça, contém um Plano de Sustentabilidade 2030, que aborda os esforços da Lindt para apoiar os produtores de cacau na África Ocidental e reduzir os riscos decorrentes do trabalho infantil. A Lindt também publica uma “Declaração sobre Escravidão Moderna” que aborda sua “estratégia personalizada” para reduzir os riscos, inclusive por meio do cumprimento da certificação da Rainforest Alliance para práticas agrícolas. A ação judicial visa pôr fim à suposta “conduta ilegal da Lindt dirigida aos consumidores de Washington, D.C.”, e não busca indenização.”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Demanda de investidores se mantém firme por fundos ambientais com outra denominação

“A demanda dos investidores por fundos de capital privado que buscam explicitamente resultados ambientais ou sociais positivos manteve-se estável nos últimos anos, apesar da reação política contrária às agendas climática e de diversidade. Fundos de private equity, infraestrutura, setor imobiliário e dívida privada que visam gerar benefícios ambientais ou sociais mensuráveis, além de retornos financeiros, captaram US$ 31 bilhões no ano passado — um volume alinhado ao do ano anterior —, segundo dados da Preqin compartilhados com o Financial Times. Fundos de infraestrutura focados em impacto — muitos dos quais concentrados em energia renovável — tiveram um desempenho particularmente forte, respondendo por US$ 24 bilhões do capital captado. Os dados sugerem que os investidores não abandonaram o chamado investimento de impacto, como muitos previam que fariam após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, e mostram que certos setores sob esse rótulo continuam a atrair grande interesse dos investidores. No ano passado, a Brookfield Asset Management captou US$ 20 bilhões para um fundo que descreveu como o maior veículo já criado para energia limpa. A Copenhagen Infrastructure Partners captou € 12 bilhões para um veículo focado em grandes projetos de energia renovável do tipo greenfield (novos empreendimentos). Essas captações expressivas ocorreram apesar da campanha de Trump contra a energia renovável. Sua administração paralisou muitos projetos de desenvolvimento em terra firme (onshore) nos EUA e tentou repetidamente interromper diversos projetos de energia eólica offshore (em alto-mar). “Alguns investidores, particularmente nos EUA, afastaram-se de investimentos rotulados como ‘impacto’ ou ‘ESG’”, disse Ian Simm, fundador da Impax Asset Management; no entanto, outros investidores nesses veículos já eram motivados por fatores que iam além das questões éticas. Ele acrescentou que o argumento a favor da resiliência energética proporcionada pelas renováveis ​​foi reforçado este ano pela guerra no Oriente Médio. Especialistas do setor afirmaram, contudo, que a ideia — antes defendida por alguns — de que investidores poderiam sacrificar retornos em prol de resultados positivos caiu totalmente em desuso. O ano passado foi “um tanto quanto de transição” para o sentimento dos investidores “devido ao que vem acontecendo nos EUA”, disse Hilary Wiek, pesquisadora de veículos de capital privado voltados para impacto na provedora de dados PitchBook. “Não basta dizer que se deseja um benefício social; é preciso obter um bom retorno.” Outros observaram que fundos que agrupavam diversos setores de forma genérica sob o conceito de impacto também perderam popularidade. “Observamos uma desaceleração na demanda dos investidores por fundos que abrangem impactos tanto sociais quanto ambientais, ou por fundos que agrupam, digamos, uma escola e um negócio de transição energética”, disse Ali Floyd, sócio da Campbell Lutyens, empresa de consultoria em captação de recursos. Paralelamente, temas específicos, como energia renovável, ganharam popularidade, acrescentou ele. Até o momento neste ano, fundos focados em impacto captaram US$ 13 bilhões, segundo a Preqin; esse número sugere uma leve queda para o ano todo, caso a projeção seja feita com base nessa média. A Preqin ressaltou, no entanto, que os volumes de captação costumam aumentar no final do ano devido a atrasos no reporte de dados. Andreas Aschenbrenner, responsável pelo fundo de private equity de € 3 bilhões da EQT focado em impacto, afirmou que alguns acreditavam ser fácil “surfar a onda” do interesse inicial por sustentabilidade, mas que muitos veículos menores “careciam de musculatura institucional” para impulsionar o desempenho. Aschenbrenner disse que os fundamentos continuam sólidos como sempre. “Se você não pensasse na digitalização de um negócio em 2016, em 2026 seria… considerado um tolo”, disse ele. “A sustentabilidade é o novo digital.””

Fonte: Financial Times 24/07/2026

Energia solar avança em ritmo recorde e renováveis devem superar carvão pela primeira vez

“A Agência Internacional de Energia (AIE) publica anualmente um retrato do consumo global de eletricidade e confirma uma tendência: as fontes renováveis crescem, o carvão perde espaço e a transição energética segue seu curso. Nesta quinta-feira, 23, o cenário se confirmou mais uma vez, mas o pano de fundo é a guerra no Oriente Médio e as disrupções no fluxo de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz. Em meio ao choque de mercado, os preços do gás na Ásia e na Europa chegaram aos patamares mais altos desde a crise energética de 2022 a 2023. Apesar do contexto desafiador, a demanda global por eletricidade deve acelerar e passar de um crescimento de 3% em 2025 para 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027. Segundo a AIE, a alta é sustentada principalmente pela indústria e aumento no uso de aparelhos de ar-condicionado e eletrodomésticos, pela expansão dos veículos elétricos e “boom” dos data centers com o advento da inteligência artificial. Mas as energias renováveis não patinaram: pelo contrário, estão prestes a ultrapassar o carvão como maior fonte de geração de eletricidade do mundo em 2026, depois de praticamente empatarem em participação em 2025. O avanço das renováveis, porém, não apagou o retorno do carvão em algumas regiões. Os picos nos preços do gás natural, decorrentes da guerra, levaram países da Ásia e da Europa a migrar parte de sua geração de volta para o combustível fóssil poluente e em “uma resposta de curto prazo ao choque de preços”, conforme a AIE. Por outro lado, a organização destaca que o avanço das fontes renováveis ajudou a diversificar a oferta de eletricidade em diversos países, reforçando a segurança energética e amortecendo parte dos impactos da crise no mercado de gás. Como reflexo, as emissões provenientes da geração de eletricidade devem crescer cerca de 1% neste ano, antes de estabilizar em 2027. Já a geração global a gás deve ficar praticamente estáve e interrompendo o crescimento observado durante a maior parte da última década, com uma projeção de retomada de cerca de 1,5% em 2027. Um dos alertas do relatório é que as incertezas geopolíticas “podem continuar pesando sobre as perspectivas”. Outro dado chama a atenção para os fatores climáticos: um evento de El Niño mais intenso do que o esperado poderá elevar ainda mais a demanda elétrica, ao aumentar a necessidade de refrigeração e, ao mesmo tempo, reduzir a geração hidrelétrica e eólica em algumas regiões. O choque também não foi sentido de forma igual ao redor do mundo. Os preços médios de eletricidade na União Europeia e no Japão subiram mais de 30% na comparação anual no segundo trimestre, enquanto os preços nos Estados Unidos permaneceram estáveis e os da Índia avançaram menos de 10%. Já em mercados asiáticos mais sensíveis a preços, como Paquistão e Bangladesh, o custo mais alto do GNL importado chegou a reprimir o próprio consumo de eletricidade.

Fonte: Exame; 23/07/2026

A ofensiva da China no mercado automotivo europeu mal começou

“Pouco mais de dois anos após lançar sua divisão automotiva, a Xiaomi — maior fabricante de smartphones da China — busca se tornar uma das cinco principais marcas premium da Europa. A empresa escolheu a Alemanha, um dos mercados mais competitivos da região, para seu lançamento europeu no próximo ano. Visando conquistar o mercado premium da região até 2030, a companhia recrutou engenheiros e designers da BMW, Porsche e Tesla. “Acredito que a indústria automotiva da China precisa almejar mais alto para criar veículos de classe mundial”, disse o fundador da Xiaomi, Lei Jun, no Salão do Automóvel de Pequim, em abril. “Esse é o valor que a Xiaomi pode agregar.” O grupo está na vanguarda de uma nova onda de fabricantes chineses de veículos elétricos focados em tecnologia — incluindo Xpeng, Li Auto e a Aito (apoiada pela Huawei) — que buscam expansão internacional. Algumas concessionárias europeias começaram a notar essas novas fabricantes chinesas, que chegam aos mercados internacionais na esteira das marcas maiores, trazendo softwares avançados e tecnologias de condução autônoma. Embora menores e menos conhecidas no exterior, essas empresas vêm ganhando participação no mercado chinês — extremamente competitivo —, especialmente entre os consumidores mais jovens. Algumas, como a Xiaomi, conquistaram uma legião de fãs fervorosos. “Acredito que o melhor ainda está por vir para os veículos chineses”, afirmou Nathan Coe, CEO da Auto Trader — o maior marketplace automotivo online do Reino Unido —, destacando o ritmo acelerado de inovação tecnológica dos fabricantes chineses. Essa nova onda de empresas chinesas de veículos elétricos impulsionadas pela tecnologia surge no momento em que as principais montadoras do país, lideradas pela BYD, tornam-se rapidamente nomes conhecidos em todo o mundo, em um intervalo de apenas dois anos. Com um portfólio variado que inclui veículos elétricos, híbridos plug-in e até modelos a gasolina, as marcas chinesas conquistaram, juntas, 9% das vendas de carros novos na Europa e 15% no Reino Unido durante o primeiro semestre do ano. Apenas em maio, pela primeira vez, um em cada dez veículos novos vendidos na Europa era de origem chinesa.”

Fonte: Financial Times; 23/07/2026

Política

Crianças da Amazônia Legal estão mais expostas a riscos ambientais, aponta Unicef

“Crianças que vivem em municípios da Amazônia Legal, especialmente na Região Norte, estão mais expostas a riscos ambientais e climáticos, como secas, poluição do ar, chuvas intensas e falta de saneamento básico. Um painel divulgado nesta quinta-feira (23) mostra onde está a maior concentração de municípios com alta vulnerabilidade no Brasil e indica onde políticas públicas precisam ser priorizadas. Os dados foram divulgados pelo Fundo das Nações para a Infância (Unicef) e a organização global de saúde pública Vital Strategies. O painel consolida 14 indicadores distribuídos em quatro áreas temáticas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana. Cada município foi classificado em níveis de prioridade (alta, média e baixa), indicando onde há necessidade de ações mais urgentes. Pedro de Paula, vice-presidente de Inovação Global da Vital Strategies, destaca que o objetivo do painel é permitir que cada município compreenda sua própria realidade, compare seus indicadores e identifique quais problemas exigem maior prioridade na formulação de soluções. O levantamento mostra que 333 municípios (6% do total) têm alta prioridade em 10 ou mais indicadores. A maior concentração está no Norte, onde 42,4% das cidades se enquadram nessa condição. Na região, os Estados do Pará, Acre e Amazonas se destacam com o maior número de indicadores classificados como de alta prioridade. Na outra ponta, 108 municípios (1,9%) não registram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados. No Nordeste e no Centro-Oeste, o cenário é intermediário, com média de cinco indicadores classificados como de alta prioridade por município. Nessas regiões, os maiores níveis de vulnerabilidade se concentram em Estados da Amazônia Legal, como Maranhão e Mato Grosso. Já o Sul e o Sudeste apresentam menor exposição aos riscos, com cerca de três indicadores de alta prioridade, em média, por município. No indicador de qualidade do ar, a poluição por partículas finas acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tem maior incidência na Região Norte, onde 94% dos municípios apresentam alta prioridade nesse indicador. Em seguida aparece o Sudeste (39%), região que concentra a maior parcela da população infantil. Apesar de o problema ser comum nas duas regiões, as causas são diferentes. No Norte, a alta concentração de material particulado está associada principalmente às queimadas. Já no Sudeste, sobretudo nas grandes regiões metropolitanas, a poluição é provocada principalmente pelo transporte rodoviário e pela atividade industrial. O transporte rodoviário, por sua vez, é um fator de poluição do ar classificado como de alta prioridade em 66% dos municípios do Centro-Oeste e em 57% dos municípios do Sul. Já os focos de calor, que medem a ocorrência de incêndios, são um fator de atenção para o Norte (59%) e Nordeste (41%).”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Minerais críticos já movem mais acordos comerciais do que a transição energética

“Dos mais de 70 acordos comerciais e de cooperação econômica assinados desde 1º de janeiro de 2025, pelo menos 45 (63%) trataram de matérias-primas críticas, essenciais para tecnologias da transição energética, inteligência artificial e defesa. Os dados integram o Trade & Climate Tracker, monitor global recém lançado pelo International Institute for Sustainable Development (IISD). O monitor também mostra que energia e clima são temas predominantes nas parcerias mais recentes, com 58% dos acordos mencionando explicitamente cooperação climática e 67% incluindo algum tipo de cooperação na área de energia, passando por temas como eficiência, infraestrutura elétrica e redes de transmissão. Mas apenas 36% abordam especificamente a cooperação em renováveis. Quando o escopo é ampliado para energia limpa (o que pode incluir nuclear, biomassa e geotérmica), o percentual sobe para 44%. Na área de matérias-primas críticas, chama a atenção como a busca por parcerias está crescendo e se tornando mais detalhada, ao mesmo tempo em que aumentam as medidas de restrição às exportações. Isso ocorre em meio a um cenário geopolítico marcado por tensões, fragmentações e economias industriais tentando diversificar suas cadeias de suprimentos e reduzir a dependência excessiva da China. De acordo com o monitor, os 45 acordos analisados buscam, principalmente, garantir acesso aos minerais críticos e estratégicos e/ou fortalecer cadeias de suprimento. A lista inclui a parceria estratégica entre a União Europeia e o México, assinada em maio de 2026, atualizando o Acordo Global de 2000, em meio à pressão tarifária dos EUA. Ainda precisa ser ratificada, mas tem um capítulo com regras de acesso ao mercado que proíbem monopólios de importação/exportação de matérias-primas, incluindo minerais, metais, produtos químicos e fertilizantes. A UE, aliás, está em vários tratados relacionados às cadeias de suprimentos. O bloco tem cooperações com os EUA, África do Sul, Austrália e Índia, além do acordo firmado no início deste ano com o Mercosul, após quase três décadas de negociações. O Brasil sozinho não aparece na lista. O país integra os acordos do Mercosul com a UE e com o EFTA, bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Por fora do Mercosul, o Brasil também mantém diálogos sobre terras raras com a União Europeia, e sobre minerais críticos com Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Índia, por exemplo.”

Fonte: Eixos; 23/07/2026

Japão encontra terras raras a 6 mil metros de profundidade no Pacífico

“O Japão recuperou elementos de terras raras essenciais para a fabricação de semicondutores, veículos elétricos e equipamentos de defesa em um teste de perfuração em águas profundas, em um possível avanço na tentativa de reduzir a dependência de cadeias de suprimentos dominadas pela China. Uma expedição de um mês realizada no início deste ano próximo a Minamitorishima, uma remota ilha japonesa no Oceano Pacífico, extraiu cerca de 50 toneladas de lama a uma profundidade de 6.000 metros. A análise do material confirmou a presença de elementos como ítrio, gadolínio, disprósio e neodímio, informaram nesta sexta-feira o governo japonês e as organizações envolvidas no projeto. O ítrio é utilizado na produção de semicondutores e em sistemas de defesa; o gadolínio, em materiais de controle de reatores nucleares; o disprósio, em componentes de veículos elétricos; e o neodímio, na fabricação de ímãs de alto desempenho. As organizações responsáveis pelo projeto afirmaram que não foram identificados níveis relevantes de substâncias perigosas ou materiais radioativos, mas não informaram a quantidade de terras raras efetivamente recuperada. Com base nos resultados do teste, o Gabinete do Governo e a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre planejam realizar uma operação de maior escala em fevereiro na mesma região. O objetivo será testar toda a cadeia de produção — da extração e separação ao refino — em escala industrial e avaliar a viabilidade de uma produção doméstica de terras raras. Uma decisão sobre a viabilidade econômica da exploração comercial está prevista para março de 2028. O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla do Japão, iniciada há cerca de uma década, para fortalecer a resiliência de sua cadeia de suprimentos e reduzir a exposição à China. O país asiático responde por cerca de 70% da produção mundial de mineração de terras raras e quase 90% da capacidade global de refino, posição dominante que Pequim já utilizou em momentos de tensão comercial e geopolítica.”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Nova regra da UE para aviação cobra emissões, mas evita confronto com EUA e China

“A União Europeia voltou a tentar resolver um dos impasses mais antigos da política climática internacional: como fazer a indústria da aviação pagar pelas emissões de carbono sem provocar uma disputa comercial entre países. A resposta encontrada por Bruxelas ficou no meio do caminho. Na semana passada, a Comissão Europeia propôs ampliar seu sistema de comércio de emissões (ETS, na sigla em inglês) para incluir voos internacionais que partam de aeroportos europeus. A mudança, prevista para entrar em vigor em 2029, expande a cobrança sobre emissões de dióxido de carbono, mas estabelece um limite geográfico de 5 mil quilômetros a partir do centro da Europa. Na prática, isso significa que rotas como Paris-Dubai passariam a pagar pelo carbono emitido durante todo o trajeto, enquanto voos para destinos mais distantes, como Nova York, ficariam fora das novas regras. A escolha não é técnica. É política. A proposta representa uma mudança em relação à ambição demonstrada pela União Europeia ao longo da última década. Em 2012, o bloco tentou incluir todas as rotas internacionais no mercado europeu de carbono. A iniciativa encontrou forte oposição dos Estados Unidos e da China e acabou sendo reduzida. Agora, o contexto geopolítico voltou a influenciar a política climática. Segundo autoridades ouvidas pelo Financial Times, a proposta inicial da Comissão Europeia era retomar a cobrança para todos os voos que deixassem aeroportos do bloco. A ideia enfrentou resistência dentro da própria Comissão, especialmente entre áreas responsáveis por transporte, indústria e comércio, preocupadas com impactos sobre a competitividade das companhias aéreas e possíveis retaliações comerciais. O raio de 5 mil quilômetros acabou funcionando como um compromisso político. Ele amplia a cobertura das emissões sem alcançar rotas para Estados Unidos e China, reduzindo o risco de uma nova disputa diplomática em um momento de maior tensão comercial.Ao mesmo tempo, a proposta tenta resolver outro problema conhecido do setor: evitar que companhias aéreas passem a concentrar conexões em hubs fora da União Europeia, como Turquia ou Oriente Médio, apenas para escapar da cobrança pelo carbono.”

Fonte: Exame; 23/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial. 
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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Fonte: Expert XP

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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) formalizou o aceite de certificados de atributos ambientais, com destaque para o I-REC (International Renewable Energy Certificate), como meio oficial de comprovação da origem renovável da eletricidade consumida no âmbito do RenovaBio. A medida amplia o leque de instrumentos à disposição dos produtores de biocombustíveis para atestar a descarbonização da sua matriz de consumo industrial durante a elaboração da nota de eficiência do combustível.

A revisão do entendimento regulatório ocorreu após provocação técnica levada à agência pelo Instituto Totum, Firma Inspetora credenciada no programa. A entidade submeteu documentação técnica detalhando a governança, a auditabilidade e o alinhamento do ecossistema de Certificados Internacionais de Energia Renovável com as diretrizes do Programa Brasileiro GHG Protocol.

Pelo critério estabelecido pelo órgão regulador, a aceitação dos certificados na ferramenta de cálculo do ciclo de vida (RenovaCalc) estará condicionada à verificação de critérios rígidos de auditabilidade e rastreabilidade, impedindo a dupla contagem e garantindo a integridade ambiental da pegada de carbono reportada pelas usinas e destilarias.

Ao dimensionar os reflexos regulatórios da medida para a maturidade do ambiente de negócios e para a previsibilidade da certificação, o diretor-geral do Instituto Totum, Fernando Lopes, pontua: “A aceitação do I-REC pela ANP amplia as opções disponíveis para comprovação do consumo de energia renovável, sem abrir mão da segurança técnica e da rastreabilidade exigidas pelo RenovaBio. É um avanço importante para o mercado, que passa a contar com maior flexibilidade e previsibilidade nos processos de certificação.”

Flexibilidade operacional sem prejuízo do rigor metodológico

A inclusão dos atributos de energia renovável atende a um pleito histórico do setor industrial de biocombustíveis. Até então, a comprovação da fração renovável da eletricidade demandava arranjos contratuais rígidos de autoconsumo ou contratos de compra direta de longo prazo (PPA) com usinas de dedicação exclusiva.

Com o reconhecimento do I-REC, os produtores ganham liquidez contratual para abater as emissões do Escopo 2 na RenovaCalc. Como a nota de eficiência de intensidade de carbono determina a quantidade de Créditos de Descarbonização (CBIOs) que cada usina pode emitir por volume de combustível comercializado, a simplificação da comprovação do consumo limpo injeta maior eficiência na monetização ambiental do setor.

Sob a ótica do amadurecimento dos mecanismos de mercado para a transição energética e da consistência técnica dos relatórios ambientais, Fernando Lopes avalia o ganho estrutural da medida: “Essa decisão representa um amadurecimento do RenovaBio e reconhece a importância de mecanismos robustos de rastreabilidade para comprovar o uso de energia renovável. O mercado ganha mais flexibilidade, mantendo a integridade ambiental do programa, enquanto produtores passam a contar com alternativas adicionais para atender aos requisitos da certificação. O Instituto Totum continuará atuando para que essa evolução regulatória seja implementada com rigor técnico, segurança e credibilidade.”

Disparada na emissão de I-RECs sustenta validação da ANP

A mudança regulatória promovida pela ANP converge com uma aceleração sem precedentes no volume de certificados transacionados no mercado brasileiro. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram emitidos mais de 65 milhões de I-RECs no país, volume que já ultrapassa o consolidado de todo o ano de 2025, quando o mercado registrou 64,7 milhões de unidades. O avanço demonstra uma expansão superior a 1.500% quando comparado aos 4 milhões de títulos registrados em 2020.

O salto na oferta e na liquidez de I-RECs no mercado nacional sinaliza a prontidão da infraestrutura de certificação para suprir a demanda adicional vinda das usinas de etanol, biodiesel e biometano participantes do RenovaBio e do Sistema Brasileiro de Certificação de Garantias de Origem de Biometano (CGOB).

Ao contextualizar a confluência entre o amadurecimento da regulamentação estatal e a dinâmica de mercado impulsionada pela agenda corporativa global, Fernando Lopes conclui: “A decisão da ANP reforça uma tendência já observada no mercado. À medida que cresce a demanda por instrumentos confiáveis para comprovação da origem renovável da energia, também aumenta a importância de mecanismos reconhecidos internacionalmente, como o I-REC. Esse alinhamento entre regulação e mercado fortalece a segurança jurídica dos agentes e contribui para acelerar a transição energética no Brasil.”

Fonte: Cenário Energia

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A descarbonização corporativa vem deixando de ser apenas uma agenda de eficiência operacional e passa, cada vez mais, a incorporar instrumentos de mercado capazes de conectar oferta física, atributo ambiental e relato de emissões. Isso já ocorreu de forma muito visível na eletricidade renovável e tende a avançar para outros vetores energéticos e insumos industriais.

Não por acaso, o próprio GHG Protocol consolidou a lógica do market-based reporting para o escopo 2 e já existe proposição de relato exclusivo por meio escolha de compra, envolvendo os três escopos.

Em outras palavras, o mercado caminha para sistemas em que a descarbonização não será relatada apenas pelo que foi fisicamente consumido, mas também pelas escolhas contratuais e pelos instrumentos confiáveis de rastreabilidade adotados pelas empresas.

Esse movimento ajuda a explicar por que instrumentos de mercado vêm ganhando tanta relevância. Eles não substituem a redução física de emissões nem resolvem, por si sós, todos os desafios de integridade ambiental. Mas permitem alocar atributos, organizar cadeias de custódia, evitar dupla contagem e dar previsibilidade a mercados em que a molécula, o elétron ou o insumo renovável se misturam fisicamente a produtos equivalentes de origem fóssil.

É exatamente esse tipo de solução que tende a ganhar importância num mundo em que a pressão por reporte auditável e por escolhas contratuais transparentes será cada vez maior.

No caso da eletricidade, o exemplo mais conhecido é o I-REC. Seu mérito foi oferecer um padrão simples e confiável para rastrear atributos ambientais em mercados nos quais a segregação física da energia é, em regra, impossível. O sucesso do instrumento decorre justamente de sua capacidade de combinar governança, rastreabilidade, unicidade do certificado e clareza de uso para o consumidor final.

Isso permitiu que a lógica da energia renovável contratada deixasse de ser apenas um conceito e passasse a ser um ativo utilizável em relatos, estratégias corporativas e compromissos voluntários.

No gás renovável, o mesmo raciocínio se consolidou com o Gas-REC e, em escala internacional, com o I-Track(G). Os certificados de biogás foram concebidos para resolver um problema objetivo: como permitir que o atributo ambiental do biometano seja rastreado e alocado ao consumidor final mesmo em contextos de mistura física em gasodutos ou em arranjos logísticos mais complexos.

Já o I-Track(G) nasce com a ambição de levar essa lógica a um padrão internacional para biogás e biometano, preservando governança, rastreabilidade e prevenção de dupla contagem em diferentes jurisdições.

É nesse contexto que surgem novos instrumentos de mercado com enorme potencial. Um deles é o CO2-REC, voltado ao rastreamento dos atributos ambientais do CO2 renovável. O CO2-REC é um sistema de rastreamento do dióxido de carbono de origem biogênica, proveniente, por exemplo, de fermentação industrial, digestão anaeróbica, oxidação controlada de biomassa, captura de gases ou outras tecnologias reconhecidas.

O ponto central aqui é simples e poderoso ao mesmo tempo: o CO2renovável é quimicamente a mesma molécula do CO2 fóssil. Por isso, sem certificação e rastreabilidade, o mercado tende a tratar ambos como equivalentes, perdendo a capacidade de reconhecer a origem biogênica e o benefício ambiental associado.

As aplicações desse CO2 renovável são amplas e muito concretas: indústria de bebidas, no agronegócio e em estufas, na indústria química e bioquímica, no mercado de gases industriais verdes, na indústria de energia e até em arranjos relacionados ao mercado de carbono.

A certificação ajuda justamente porque separa, no plano informacional e contratual, aquilo que fisicamente é indistinguível. Em mercados desse tipo, a lógica do atributo ambiental rastreado tende a ser muito mais relevante do que qualquer tentativa de segregação física absoluta.

Outro instrumento promissor é o BioGLP-REC, voltado ao GLP renovável. O Bio GLP pode ser produzido a partir de matérias-primas renováveis por rotas que transformam biomassa, via gaseificação e síntese química, ou óleos vegetais, via hidrogenação catalítica, nos gases propano e butano.

Mais uma vez, trata-se de moléculas quimicamente idênticas às do GLP fóssil, mas com característica biogênica. Isso faz com que a certificação seja especialmente importante: sem ela, o mercado não consegue distinguir de forma auditável a origem renovável do produto.

No caso do Bio GLP, a utilidade do modelo de certificação é ainda mais evidente porque a logística real tende a envolver mistura, compartilhamento de infraestrutura e, em muitos casos, impossibilidade de preservação física da identidade do produto ao longo de toda a cadeia. Por isso, a lógica de book and claim e de rastreamento de atributos ambientais se mostra particularmente adequada.

O BioGLP-REC foi concebido exatamente para rastrear esses atributos e permitir que consumo industrial, comercial, residencial ou de transporte possa ser associado a uma origem renovável de forma documentada e verificável.

O que se observa, portanto, é um processo claro de ampliação do repertório de instrumentos de mercado para descarbonização. Primeiro a eletricidade renovável ganhou escala com instrumentos como o I-REC. Depois o gás renovável avançou com o Gas-REC e, mais recentemente, com o I-Track(G) e CGOB.

Agora, começam a ganhar forma instrumentos voltados a moléculas e produtos adicionais, como CO2 renovável e Bio GLP renovável. A tendência é que esses novos instrumentos sejam progressivamente implementados no Brasil e no mundo e que, com o amadurecimento do mercado, passem a ser tão naturais e utilizados quanto hoje já são o I-REC e os certificados de gás renovável.

O mercado de atributos ambientais ainda está se expandindo, e tudo indica que estamos apenas no começo dessa nova etapa.

Fonte: Brasil Energia

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Lançamento do código I-TRACK(G) cria estrutura global para rastreabilidade de biogás e biometano, amplia segurança regulatória e aproxima o mercado brasileiro das cadeias internacionais de descarbonização

O mercado global de gases renováveis entrou em uma nova etapa de padronização e integração internacional. A I-TRACK Foundation e a Global Gas Tracking (GGT) anunciaram o lançamento do Código I-TRACK(G), novo padrão internacional voltado à certificação, rastreabilidade e negociação de atributos ambientais de biogás e biometano.

A iniciativa surge em um momento de aceleração dos mercados de combustíveis de baixo carbono e de crescente pressão corporativa por mecanismos auditáveis de comprovação ambiental. Na prática, o novo código estabelece regras globais para emissão, transferência e liquidação de certificados associados à produção de gases renováveis, criando uma linguagem comum entre diferentes jurisdições e cadeias energéticas.

O movimento também posiciona o Brasil no centro dessa arquitetura regulatória. O padrão foi desenvolvido em compatibilidade com o CGOB, programa federal brasileiro de certificação de origem do biometano, e utilizou como base operacional a experiência da plataforma GAS-REC®, desenvolvida pelo Instituto Totum.

Mercado busca padronização para acelerar liquidez e confiança

A consolidação de mercados globais de biometano depende cada vez mais da capacidade de rastrear atributos ambientais com segurança e evitar riscos de dupla contagem. O I-TRACK(G) foi estruturado justamente para atender essa demanda, criando um modelo interoperável com outros sistemas internacionais de certificação energética.

O código foi desenvolvido em conformidade com o International Attribute Tracking Standard e terá operação suportada por plataformas digitais de registro administradas pelo Instituto Totum e pela Evident, empresa integrada ao grupo Xpansiv.

A estrutura permite acompanhar toda a jornada dos certificados, desde a emissão até a baixa final, utilizando metodologia baseada em comprovação física e validação posterior à produção energética. Além da rastreabilidade, o novo modelo busca simplificar auditorias corporativas e processos de compliance ESG. O sistema passa a identificar, de forma padronizada, critérios de sustentabilidade, cadeia de custódia e conformidade regulatória de cada ativo ambiental negociado.

Integração com hidrogênio e energia elétrica amplia alcance do sistema

Um dos principais diferenciais do novo padrão é a interoperabilidade com outros mercados energéticos estratégicos para a transição energética global.

O I-TRACK(G) nasce integrado aos sistemas I-REC(E), voltado para energia elétrica renovável, e I-TRACK(HX), dedicado ao hidrogênio de baixo carbono. A conexão entre os diferentes certificados permitirá que grandes consumidores industriais administrem metas de descarbonização em múltiplos vetores energéticos dentro de uma única governança.

O diretor-executivo da I-TRACK Foundation, Jared Braslawsky, avaliou que o lançamento representa um avanço importante na consolidação internacional dos mercados de atributos energéticos: “O lançamento do I-TRACK(G) Code representa um marco importante na evolução contínua do rastreamento global de atributos energéticos. Com o I-TRACK(G) Code, estamos ampliando o alcance do International Attribute Tracking Standard para os mercados de gases renováveis, permitindo um rastreamento consistente, transparente e de alta integridade entre diferentes jurisdições. Temos satisfação em contar com a Global Gas Tracking como gestora credenciada do I-TRACK(G) Code e esperamos apoiar uma abordagem padronizada para o rastreamento de gases renováveis em escala global.”

A interoperabilidade também atende uma demanda crescente de multinacionais que operam metas integradas de carbono e precisam consolidar inventários ambientais em diferentes regiões.

Brasil ganha protagonismo no mercado internacional de biometano

A escolha do ambiente brasileiro como referência para validação prática do padrão reforça o avanço do país no mercado de biogás e biometano. O ecossistema nacional já vinha operando mecanismos de certificação voluntária por meio da plataforma GAS-REC, agora utilizada como base para expansão internacional do modelo.

Dentro da estrutura desenhada pelo novo código, o Instituto Totum seguirá responsável pela gestão das emissões no mercado brasileiro, enquanto a plataforma internacional da Evident administrará os registros globais fora do país.

O diretor-geral da ACT Group para a região Ásia-Pacífico, John Davis, destacou que a padronização tende a ampliar a confiança dos investidores e acelerar o crescimento do mercado internacional de gases renováveis: “Recebemos com entusiasmo o lançamento do I-TRACK(G) Code como um importante avanço para ampliar a transparência e a consistência nos mercados de biogás e biometano. Como adotantes iniciais, enxergamos valor significativo em uma estrutura padronizada e interoperável, capaz de viabilizar sistemas verificáveis de certificação e fortalecer a confiança em toda a cadeia de valor. Com a crescente demanda por gases renováveis na região Ásia-Pacífico, iniciativas como essa terão papel fundamental para apoiar o crescimento escalável do mercado e a transição regional para uma matriz energética de menor carbono”.

A conexão entre o padrão internacional e o CGOB também é vista pelo setor como um fator estratégico para atrair investimentos em infraestrutura de gás renovável no Brasil.

O diretor-geral do Instituto Totum, Fernando Giachini Lopes, ressaltou a relevância da compatibilidade regulatória com o programa federal brasileiro: “Temos orgulho de ver o I-TRACK(G) Code lançado como um padrão global de certificação para biogás e biometano. Este é um passo importante para oferecer ao mercado uma estrutura mais robusta, confiável e escalável para o rastreamento de atributos de gases renováveis em diferentes jurisdições. Também é especialmente relevante que o padrão tenha sido desenvolvido de forma compatível com o CGOB, o novo programa federal regulado de certificados de origem de biometano no Brasil”.

Certificação pode acelerar financiamento e expansão do setor

Além do aspecto regulatório, a criação de um padrão internacional de rastreabilidade é vista como um instrumento importante para destravar financiamento de projetos e ampliar a liquidez dos ativos ambientais associados ao biometano.

A ausência de critérios globais uniformes vinha sendo apontada por investidores como uma das barreiras para expansão de contratos internacionais de longo prazo.

O diretor da Evident e parceiro da GGT, Travis Caddy, afirmou que a padronização tende a reduzir inseguranças comerciais e criar um ambiente mais robusto para expansão do mercado: “Estabelecer uma estrutura consistente e interoperável para os atributos de biogás e biometano é um passo relevante para destravar esses mercados em escala. Ao oferecer aos consumidores certificados confiáveis e negociáveis, acreditamos que o padrão pode acelerar o acesso a financiamento para projetos e impulsionar a implementação de soluções de gases renováveis em escala comercial”.

Com o avanço da demanda global por combustíveis renováveis e metas corporativas de neutralidade climática, o lançamento do I-TRACK(G) consolida um novo estágio de maturidade para o mercado de biometano. A tendência é que mecanismos de certificação interoperáveis passem a desempenhar papel central na integração internacional das cadeias de descarbonização industrial, especialmente em setores de difícil abatimento de emissões.

Fonte: Cenário Energia

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O avanço da sofisticação do mercado livre de energia e a consolidação das metas corporativas de descarbonização (ESG) têm conferido uma nova dinâmica ao mercado de Certificados de Energia Renovável (I-RECs) no Brasil. Nesse cenário, as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) começam a se destacar, sustentadas pela previsibilidade de sua geração e pelo forte apelo de desenvolvimento socioeconômico regional, afirma Fernando Lopes, diretor-geral do Instituto Totum. .

Atualmente, o Instituto Totum — emissor local oficial do sistema I-REC no país — conta com 127 empreendimentos de fonte hídrica  cadastrados e ativos em sua plataforma. No último ano consolidado de 2025, o volume emitido por essa fonte atingiu a marca de 35.718.744,29 certificados, o equivalente a mais de 35,7 milhões de MWh rastreados e direcionados à comprovação de consumo de energia limpa.

A busca por “narrativas locais”

De acordo com Lopes, a maior procura por registros por parte de operadores de PCHs não decorre de um fator isolado, mas sim de uma convergência de forças do mercado. A abertura da alta tensão no mercado livre ampliou a maturidade dos consumidores e estimulou as comercializadoras a embutirem o I-REC como um diferencial competitivo diretamente nos contratos de fornecimento de energia.

Além da própria commoditização do certificado, o mercado começa a precificar nuances geográficas e sociais , Lopes aponta que o preço do I-REC é estritamente uma variável de mercado (dependente de oferta, demanda e localização), mas reconhece que as hidrelétricas de menor porte possuem diferenciais específicos:

“Em alguns casos, compradores podem valorizar atributos adicionais associados a determinadas fontes ou empreendimentos, como geração distribuída regionalmente, menor porte, conexão com comunidades locais ou características socioambientais específicas e nisso as PCHs possuem algum diferencial”, explica o diretor.

Essa demanda por uma “narrativa de sustentabilidade local” permite que empresas conectem sua comunicação ambiental diretamente ao território onde operam. Para estruturar essa estratégia de forma auditável, o mercado dispõe de selos de sustentabilidade acoplados ao I-REC tradicional, como o REC Brazil, que atesta o alinhamento do projeto a impactos socioeconômicos positivos na região.

Desafios documentais

Apesar do crescimento do interesse, a entrada e regularização de novas PCHs e CGHs no sistema exigem rigor técnico. Conforme o Instituto Totum, os principais motivos para atrasos nos processos de homologação não estão ligados à natureza da fonte hídrica em si, mas sim à organização documental e à consistência de dados dos operadores.

Os pontos que mais demandam atenção e revisões incluem: definição correta do dispositivo de geração; comprovação jurídica do direito de registrar e comercializar os atributos do empreendimento; aderência total das informações regulatórias e submetidas ao código do programa; a obtenção de dados verificados por meio da plataforma CCEE Origens necessita de autorização expressa e alinhamento do titular da usina.

O futuro dos certificados

No horizonte do mercado internacional,  segundo Lopes, duas grandes tendências prometem reconfigurar o valor dos ativos renováveis no Brasil: a transição para I-RECs horários (rastreamento hora a hora da energia consumida versus gerada) e a exigência de aquisição de certificados no mesmo submercado de consumo.

“Na esteira dessas discussões — impulsionadas inclusive por debates sobre possíveis revisões nos critérios do GHG Protocol —, as PCHs despontam com uma vantagem intrínseca frente às fontes solar e eólica de grande porte: a geração firme e constante. Por não apresentarem a intermitência severa do vento e do sol ao longo das 24 horas do dia, a regularidade de entrega das pequenas hidroelétricas facilita o atendimento a perfis de consumo granular”

Fernando Lopes pondera que fontes com perfil de geração mais estável podem, em tese, ter atributos interessantes nesse contexto, já que a regularidade da geração pode facilitar estratégias de comprovação mais granular. No entanto, a transição para modelos horários depende de definições regulatórias, operacionais, tecnológicas e metodológicas do próprio mercado e dos programas internacionais de certificação.

“O Instituto Totum  acompanha de perto as discussões globais e que, assim que as regras, procedimentos e infraestrutura técnica estiverem oficialmente desenhados e aplicáveis ao mercado brasileiro, estará pronto para orientar os agentes do setor a extraírem o valor máximo de seus ativos ambientais”, conclui.

Fonte: Portal Hydro Brasil

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O Brasil liderou as emissões globais de I-RECs (International Renewable Energy Certificates) em 2025, com 64 milhões de certificados — 19% do total mundial. O resultado consolida o protagonismo do país na transição energética e reflete a expansão da geração renovável e o avanço das metas corporativas de descarbonização. Em 2016, foram apenas 50 mil emissões; em 2024, quase 51 milhões, com projeção de superar 70 milhões em 2026.

Cada I-REC corresponde a 1 MWh de energia renovável e permite às empresas comprovar a redução de emissões associadas ao consumo elétrico. “O Brasil foi o primeiro a adotar governança local para o I-REC, e hoje cerca de 20% da energia consumida por negócios no país já possui certificados”, afirma Fernando Giachini

Lopes, presidente do Instituto Totum. No setor de gás, os GAS-RECs certificaram 37 milhões de m3 de biometano em 2025 — cerca de 10% do mercado nacional e um terço do volume que será exigido pelo mandato da lei do Combustível do Futuro

Esse avanço do mercado de atributos ambientais estará no centro do I-REC Day, em 7 de abril, em São Paulo. O encontro reunirá lideranças do setor energético, representantes do poder público e especialistas para discutir tendências, desafios regulatórios, integridade ambiental e o papel dos certificados — como I-RECs, GAS-RECs e CGOB — nas estratégias voluntárias e regulatórias de descarbonização. Consolidado como principal fórum técnico do segmento, o evento reforça o Brasil não apenas como líder em emissões de certificados, mas como referência na estruturação e governança desses instrumentos no cenário internacional.

Fonte: VEJA

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Pioneirismo em serviços ambientais para o Esporte Olímpico Brasileiro

Olá, amantes do esporte e da sustentabilidade!

No Instituto Totum, estamos orgulhosos de liderar duas frentes muito bacanas para tornar o movimento olímpico brasileiro mais verde, trabalhando lado a lado com comitês ligados ao esporte de alto desempenho.

1. Verificação de Inventários de GEE para o Comitê Paralímpico Brasileiro


Como Organismo de Verificação de Inventários (OVV), o Totum é responsável por verificar os inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Nosso trabalho garante que as emissões sejam calculadas com precisão e transparência, seguindo as normas internacionais como a ISO 14064 e o Protocolo GHG. Essa verificação é um passo crucial na jornada de descarbonização, ajudando o CPB a identificar oportunidades de redução de emissões e reforçar seu compromisso com a sustentabilidade. Somos pioneiros em trazer esse rigor técnico ao esporte paralímpico, apoiando a construção de um legado ambiental para atletas e futuras gerações.

2. Certificação I-REC para o Comitê Olímpico do Brasil


O Totum é o único Emissor Local autorizado no Brasil a emitir Certificados I-REC de Energia Renovável. E com uso desse instrumento, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) atestou o uso de energia 100% renovável no Centro de Treinamento Time Brasil, no Rio de Janeiro. Os Certificados foram fornecidos pela Neoenergia, e nosso papel é garantir que cada MWh seja rastreável e certificado, reforçando a transparência e o impacto ambiental positivo dessa iniciativa.

Por que Isso Importa?


A sustentabilidade é uma prioridade global no movimento olímpico, como vimos nas Olimpíadas de Paris 2024, os “Jogos Mais Verdes da História”. No Brasil, o Totum está na vanguarda, unindo expertise técnica e pioneirismo ambiental para apoiar o COB e o CPB em suas jornadas de descarbonização. Nosso trabalho assegura que o esporte brasileiro não apenas forme campeões, mas também lidere pelo exemplo na luta contra as mudanças climáticas.

Quer saber mais sobre como estamos transformando o esporte e o meio ambiente?

Leia mais sobre o tema na íntegra

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O Porto Sudeste (RJ) está utilizando I-RECs para atestar o uso de energia renovável, prioritariamente eólica, em suas operações. O processo foi conduzido pela Comerc Energia. O uso de energia renovável permitiu ao Porto Sudeste zerar suas emissões de Escopo 2, relacionadas ao consumo de eletricidade comprada. A empresa tem como meta reduzir em 50,4% as emissões de gases de efeito estufa dos escopos 1 e 2 até 2033, tomando 2021 como ano base. “Obter o I-REC reforça o compromisso que temos com o futuro. Mostramos que é possível aliar eficiência operacional à responsabilidade climática”, afirmou Ulisses Oliveira, diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade do Porto Sudeste.

Confira a matéria na íntegra, clicando aqui

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O Instituto Totum participou, na tarde de hoje (30/09), de um encontro com o CIBiogás, uma ICT+i dedicada ao desenvolvimento do biogás como fonte energética limpa e competitiva. A reunião também contou com a presença da Itaipu Binacional, a maior usina hidrelétrica do Brasil.

Durante o encontro, foram abordados temas importantes, como a Certificação GAS-REC, que garante o rastreamento do biogás e biometano, permitindo que os consumidores comprovem a parte renovável do gás consumido. O Instituto Totum é responsável no Brasil pela concepção, operação e gerenciamento do Programa GAS-REC.

Além disso, discutiu-se o I-REC(E), um sistema global de rastreamento de atributos de energia renovável, do qual o Instituto Totum é a única entidade autorizada pela Fundação I-TRACK. Este sistema facilita a contabilidade confiável de MWh renováveis atribuídos a consumidores, compatível com diversos padrões internacionais, permitindo escolhas conscientes em relação ao uso de energia elétrica.

Para mais informações sobre a Certificação GAS-REC e o I-REC(e), clique aqui.

Para conhecer mais sobre o projeto do CIBiogás, acesse o site: https://cibiogas.org/

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Brasil Lidera Número de Usinas Certificadas na América Latina!

O Brasil se destaca na certificação de usinas de energia renovável na América Latina, com 618 usinas certificadas e aptas a emitir certificados pelo padrão internacional da Fundação I-TRACK, o I-REC(E). Em comparação com outros países da região, o Brasil está muito à frente, refletindo a importância das energias renováveis em nossa matriz energética.

Essa liderança não apenas evidencia o interesse das empresas em obter certificações reconhecidas internacionalmente, mas também ressalta o trabalho contínuo do Instituto Totum na educação e promoção do mercado. Esse esforço tem sido desenvolvido ao longo de mais de oito anos, tanto em nível nacional quanto internacional.

Estamos comprometidos em manter essa posição de destaque para o Brasil e em garantir que o programa continue evoluindo de forma exponencial.

Fonte: www.irecstandard.org

Saiba mais sobre a certificação I-REC: Clique aqui

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